O sentido da vida carmelita
A Regra do Carmo foi dada por Santo Alberto, patriarca de Jerusalém, aos carmelitas, por volta de 1200, e confirmada pelo Papa Inocêncio IV em 1247. Em uma breve frase está resumido todo o sentido de nossa vida:

“Vigiando em oração” significa o mesmo que Elias expressava com as palavras: “Estar prostrado diante da face de Deus” (1Rs 18,15).

A oração é contemplar o rosto do Eterno. Isso só alcançamos quando o espírito está vigilante no mais profundo de si e quando está desapegado de todos os negócios e prazeres terrenos que o entorpecem. A vigília do corpo não garante essa vigilância, e o descanso de que a natureza necessita não a impede.
“Meditar na lei do Senhor” pode ser uma forma de oração, se considerarmos a oração em sentido amplo. Mas pensemos na ideia de “velar em oração” como um mergulho em Deus, algo próprio da contemplação; nesse caso, a meditação é apenas um caminho para a contemplação.
O que se entende por “a lei do Senhor”? O Salmo 119, que rezamos todos os domingos e solenidades na hora Prima, está impregnado do desejo de conhecer a Lei e de se deixar guiar por ela ao longo da vida.
O salmista pensava, então, na lei da Antiga Aliança. Seu conhecimento exigia, de fato, uma longa vida de estudo, e seu cumprimento, toda uma vida de esforço da vontade. Mas Cristo nos libertou do jugo dessa lei.
Como lei da Nova Aliança, podemos contemplar o grande mandamento do amor, sobre o qual Cristo diz que nele está contida toda a lei e os profetas: o amor perfeito a Deus e ao próximo é um tema digno de meditação para toda a vida. Mas interpretamos ainda melhor o próprio Cristo como a lei da Nova Aliança, pois Ele nos deu o exemplo, com sua vida, de como devemos viver.
É assim que cumprimos nossa regra quando mantemos constantemente diante de nós a imagem do Senhor, para nos assemelharmos a Ele. O Evangelho é o livro que nunca podemos estudar a fundo o suficiente.

Mas não encontramos o Salvador apenas nos relatos que testemunham sua vida. Ele está presente entre nós no Santíssimo Sacramento, e as horas de adoração diante da Bondade suprema, o ato de estar à escuta da voz de Deus eucarístico, são: “meditar na lei do Senhor” e “velar em oração”, simultaneamente.

No entanto, o grau mais elevado é alcançado quando “a lei está no íntimo do nosso ser”: quando estamos tão unidos ao Deus Trino, de quem somos o templo, que o seu Espírito regula nossas ações e obras. Assim, já não significa que abandonamos o Senhor quando nos dedicamos às tarefas que a obediência nos confia.
O trabalho é inevitável enquanto estivermos sujeitos às leis da natureza e às necessidades da vida. Nossa Santa Regra nos ordena seguir o exemplo de São Paulo, ganhando o pão com o trabalho de nossas mãos. Para nós, esse trabalho tem um caráter de serviço e nunca de fim em si mesmo. O próprio sentido da nossa vida permanece o mesmo: estar prostrados diante da face de Deus.


1- Qual o sentido da vida carmelita?
2- O que significa meditar na lei do Senhor e vigiar em orações?
3- Busco o Senhor na Palavra, no seu mandamento, na Eucaristia, no íntimo do meu coração, no irmão?
4- Faço as justas ocupações da vida, como o trabalho diário, o estudo e o serviço na igreja, na presença do Senhor?
Fonte: Edith Stein. In Obras Selectas, Editorial Monte Carmelo, Burgos, Espanha, p. 277ss









