Luta admirável… Mas mais admirável é a vitória!
Feliz Páscoa para todos! Reflitamos sobre o mistério da Ressurreição a partir das palavras do servo de Deus, o carmelita catalão frei Bartolomeu Maria Xiberta1* (1897-1967).

Quando vocês lerem estas páginas, talvez o alegre dobrar dos sinos já tenha anunciado aos quatro ventos a vitória de Cristo sobre a morte, e a alegria da Ressurreição terá inundado seus corações.
Encontramo-nos, portanto, plenamente dentro do clima pascal. A consideração do grande mistério da Ressurreição do Senhor enche o nosso espírito de tantos sentimentos!
Contemplando Jesus ressuscitado, ressoam em nosso coração as palavras que Ele mesmo disse aos seus discípulos: “Tenham ânimo, eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).
A Igreja canta: a morte e o autor da vida travaram um combate singular.
Se hoje nós ficamos extasiados diante da glória da Ressurreição de Cristo, jamais devemos esquecer a que preço Ele reconquistou sua glória. “Por acaso não era necessário que o Messias sofresse essas coisas e assim entrasse em sua glória?” (Lc 24, 26).
Os esplendores da Ressurreição não são outra coisa senão a consequência daquelas provas, humilhações e sofrimentos de toda a sua vida.
Cristo realizou uma batalha forte e dura contra o pecado. Ofereceu a sua vida em sacrifício, mas, ao final, venceu. Ó morte, eu serei a tua morte!
Da glória da Ressurreição do Senhor, consequência de sua Paixão, nasce aquela claríssima verdade anunciada pelo Apóstolo: “Não é coroado senão quem luta conforme a lei” (2Tm 2,5).
Se para Cristo foi necessário passar por todos aqueles sofrimentos para entrar na glória, quanto mais não será para nós, que devemos expiar não somente os pecados dos outros, mas os nossos próprios pecados?
Daí a necessidade de abraçar a nossa Cruz e levá-la unida à de Cristo, confiando em sua ajuda: “Tenham ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16,33). Com Ele não apenas levaremos nossa cruz, mas também triunfaremos sobre o mundo, que quer nos conduzir à morte do pecado.
Toda alma religiosa deve apropriar-se das palavras de São Paulo: “Vivo… já não sou eu, mas Cristo vive em mim” (Gl 2,20). Viver, antes de tudo, totalmente afastados do pecado. Pelo pecado entrou a morte no mundo (cf. Rm 5,12), e o pecado foi a causa da Paixão e Morte de Nosso Senhor.
Contra o pecado, Jesus lutou com toda a sua força divina. É necessário, pois, que toda alma religiosa sinta em si um grande horror ao pecado, à semelhança de Jesus. O pecado representa o demônio, a negação de Deus, a ausência do amor.
Nós nos consagramos a Deus principalmente para viver n’Ele, para amá-lo e fazer com que os outros também o amem. Portanto, fora de nós tudo aquilo que ofende a Deus e nos priva d’Ele!
Penetrados por esses sentimentos, os fulgores da Ressurreição também resplandecerão em nossas almas, e assim poderemos exclamar cheios de alegria: “Este é o dia que o Senhor fez; nele alegremo-nos e exultemos” (Sl 117,24).
Alegremo-nos e demos graças ao Senhor por tudo o que sua Ressurreição trouxe às nossas almas. Ele rompeu as cadeias de Satanás, fechou as portas do inferno abrindo para nós as do céu, e, como filhos de Deus, um dia poderemos tomar posse da vida eterna.
Sigamos em frente, em nome de Deus! Renovemos o nosso amor e a nossa entrega. Unamo-nos à Cruz de Jesus, símbolo da sua glória e da nossa. Meditemos as palavras do Apóstolo: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está entronizado à direita de Deus; cuidai das coisas do alto, não do que é da terra. Pois morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, se manifestar, então vós também sereis manifestados com ele, cheios de glória” (Col. 3, 1-4).
PARA REFLETIR:
| 1- Que sentimentos eu experimento ao celebrar a Páscoa? 2- Que caminho Cristo escolheu para alcançar a glória? O que isto me ensina? 3-O que dizem para mim as palavras de Cristo: “Tenham ânimo, eu venci o mundo.”? 4- Qual a relação entre a luta contra o pecado e o viver em Cristo? |
- *Charlas a las contemplativas, Editorial Karmel, Barcelona, 1967. ↩︎









